A convivência escolar é muito mais do que a ausência de conflitos ou de situações de indisciplina. É uma condição essencial para que as nossas escolas sejam espaços onde se possa ensinar, aprender e crescer num ambiente de respeito, confiança e segurança.
É também uma dimensão fundamental da educação, porque a escola não é apenas um lugar de transmissão de conhecimentos. É um espaço de relações humanas, de aprendizagem de valores e de construção da cidadania.
É com esta convicção que a AFIET – Associação para a Formação e Investigação em Educação e Trabalho se envolveu e contribuiu para a criação e afirmação do Observatório da Convivência Escolar, reconhecendo a importância de conhecer melhor a realidade das nossas escolas e de contribuir para encontrar respostas aos desafios que enfrentam.
No âmbito da sua atividade, a AFIET tem também vindo a apoiar a FNE na realização de Consultas Nacionais anuais dirigidas aos docentes, procurando conhecer as suas perceções sobre as condições em que exercem a profissão, nomeadamente no que respeita à indisciplina em contexto escolar e ao impacto que esta tem no seu trabalho e no seu bem-estar.
A Consulta Nacional, realizada em junho deste ano e que contou com a participação de 3.171 docentes, revelou resultados que não podem deixar de merecer a nossa atenção: 86,5% manifestaram elevada ou extrema preocupação com o comportamento dos alunos e 53,7% consideraram que a indisciplina aumentou em relação ao ano anterior.
Mostra que os problemas de indisciplina não se limitam à sala de aula, nem podem ser resolvidos apenas pelos professores. Os docentes identificam a falta de apoio das famílias como uma das dificuldades que enfrentam e evidenciam o desgaste que tais situações provocam no exercício da profissão. Revelam também fragilidades nas respostas institucionais e a necessidade de maior articulação entre todos os intervenientes na vida escolar.
Não podemos continuar a exigir que a escola resolva sozinha problemas que ultrapassam os seus muros.
Promover uma boa convivência escolar exige regras claras, justas e coerentes, mas também respeito mútuo, diálogo, participação e respostas educativas capazes de prevenir conflitos, promover comportamentos responsáveis e valorizar as relações humanas.
Exige, sobretudo, que cada um assuma a sua parte de responsabilidade.
Os alunos, os professores, os restantes profissionais da educação, as famílias, as lideranças escolares e a própria comunidade têm papéis diferentes, mas igualmente importantes. E é precisamente no reconhecimento dessas responsabilidades e na capacidade de as assumir de forma articulada que podemos construir ambientes escolares mais seguros, equilibrados e favoráveis à aprendizagem.
Uma escola onde se aprende a respeitar os outros é também uma escola onde se criam melhores condições para ensinar e aprender.
É neste compromisso que a AFIET se revê e para o qual pretende continuar a contribuir, nomeadamente através da sua participação no Observatório da Convivência Escolar.
Um Observatório que deve ajudar a compreender melhor os problemas, identificar as suas causas, valorizar e divulgar boas práticas e, sobretudo, contribuir para transformar esse conhecimento em propostas e respostas concretas.
Porque melhorar a convivência escolar não depende apenas de identificar o que está mal. Depende também da capacidade de reconhecer o que funciona, aprender com as boas experiências e mobilizar toda a comunidade educativa em torno de objetivos comuns.
Queremos escolas mais acolhedoras, inclusivas e humanizadas, onde o respeito seja uma prática quotidiana, a autoridade educativa seja reconhecida e cada pessoa se sinta valorizada e protegida. Esse é um compromisso que não pode ser apenas de alguns. Tem de ser de todos. Porque aprender a conviver é também aprender a ser cidadão.
Esse é um compromisso que não pode ser apenas de alguns. Tem de ser de todos.
Porque aprender a conviver é também aprender a ser cidadão.