15 outubro 2026
Ação Social e Cultural
Foi com a frescura da manhã que iniciámos, na Sé do Porto, o nosso caminho rumo a Santiago de Compostela. Ali, no recinto da Sé, recebemos a bênção do peregrino, um momento de fé e de significado que marcou o início da nossa caminhada.
Foi também um momento de reencontros, uma vez que a maior parte dos elementos do grupo já se conhecia da 1ª edição. Regressámos ao caminho porque, para além do desafio de chegar a Santiago, ficou em nós o gosto de caminhar juntos, de partilhar experiências, dificuldades e alegrias.
Com as mochilas às costas, deixámos para trás a Sé do Porto rumo ao Mosteiro de Vairão.
Pelo caminho, tivemos a oportunidade de descobrir alguns lugares que, apesar de discretos, guardam uma beleza e uma história muito próprias. Um deles foi a Capela de Nossa Senhora da Silva, que facilmente passa despercebida, mas que é um pequeno tesouro situado, de forma invulgar, no primeiro andar de um edifício que alberga na sua fachada um oratório do século XVIII. Segundo a tradição, no século XII, quando decorriam obras na zona da Sé do Porto, terá sido encontrada uma imagem de Nossa Senhora no meio de um silvado. A imagem foi considerada milagrosa e passou a ser venerada com o nome de Nossa Senhora da Silva.
Nas proximidades encontrámos também a memória dos antigos hospitais que serviam a cidade e os que por ela passavam. Entre eles encontra-se o antigo Hospital de D. Lopo de Almeida, um clérigo que deixou avultados bens à instituição, permitindo a reconstrução e ampliação do antigo Hospital de Rocamador, que passou então a ser conhecido pelo nome de D. Lopo.
Seguimos depois até ao Albergue da cidade, onde fizemos uma breve paragem para visitar e conhecer um pouco melhor esse espaço de acolhimento aos peregrinos.
Prosseguimos o nosso caminho e atravessámos a ponte medieval sobre o rio Leça.
Hoje, uma passagem sobre um rio pode parecer-nos algo simples e quase sem importância, mas, para os peregrinos de outros tempos, as pontes tinham um significado muito maior. Eram estruturas fundamentais para quem percorria os caminhos rumo a Santiago, pois permitiam vencer os rios e ribeiros que, muitas vezes, tornavam a viagem impossível ou extremamente difícil.
Chegámos ao Mosteiro do Divino Salvador de Moreira (Maia), lugar de passagem e paragem de peregrinos que seguem em direção a Compostela. Aqui é venerada aquela que é considerada uma das maiores relíquias do Santo Lenho, um pequeno fragmento de madeira que a tradição cristã identifica como pertencente à Cruz de Cristo. O recinto do mosteiro foi também o lugar ideal para a nossa pausa de almoço, permitindo recuperar forças para continuar.
Com o caminho novamente debaixo dos pés, atravessámos Mosteiró, Vilar e Gião, avançando por entre paisagens e lugares que nos foram aproximando, passo a passo, do nosso destino.
Finalmente, chegámos a Vairão.
Foi um dia vivido com serenidade, companheirismo e espírito de peregrinação.
Esta foi apenas a primeira etapa. Ainda há muitos quilómetros pela frente, mas já levamos connosco a certeza de que cada passo tem uma história para contar.
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