5 novembro 2026
Ação Social e Cultural
Etapa 2: Vairão - Pedra Furada (18 Km)
O percurso entre Vairão e Pedra Furada, em Barcelos, foi muito mais do que uma caminhada: foi uma viagem pela história medieval, pelas tradições e pela memória cultural do território.
Iniciámos esta segunda etapa no Albergue de Peregrinos do Mosteiro de São Salvador de Vairão, um lugar muito especial, onde a história, a espiritualidade e a tradição jacobeia se encontram.
O Mosteiro de Vairão tem origens muito antigas e foi um importante mosteiro beneditino. A sua igreja, de origem românico-gótica, que tivemos o privilégio de visitar, sofreu profundas alterações no século XVIII, adquirindo características barrocas e neoclássicas. Mereceu a nossa particular atenção a Capela de São João Baptista, com o seu notável retábulo em talha policromada, com uma belíssima representação da Última Ceia. Após séculos de vida monástica, o espaço ganhou uma nova missão: acolher peregrinos de Santiago. O albergue, inaugurado em 25 de julho de 2013, dia de Santiago, mantém viva a vocação de acolhimento e hospitalidade deste lugar histórico.
Continuámos o nosso caminho, atravessando a ponte medieval de D. Zameiro, sobre o rio Ave. Esta ponte, uma construção de grande envergadura, é descrita como sendo de «grande fábrica», expressão que traduz a dimensão e a dificuldade da sua empreitada. Estas construções foram importantíssimas para os peregrinos ao longo dos tempos, pois permitiam passar os rios de forma mais segura e cómoda.
Na Junqueira, Vila do Conde, parámos um pouco junto a um edifício em ruínas, conhecido como Pensão das Pulgas, que está associado à memória literária de Camilo Castelo Branco. O edifício é referido na obra A Filha do Arcediago, transportando-nos para o universo literário do escritor e mostrando como o Caminho também se faz de histórias, personagens e memórias que atravessam gerações.
Prosseguimos, atravessámos mais uma ponte, a ponte românica de São Miguel de Arcos, uma interessante construção do século XII, em cavalete, solução arquitetónica característica de muitas pontes medievais. Chegamos a Rates.
A chegada a Rates constituiu um dos momentos altos da etapa. A Igreja de São Pedro de Rates é um dos mais importantes monumentos do românico português e um marco fundamental da implantação da arquitetura românica no território português. A sua história está ligada à presença beneditina e à doação de terrenos que permitiu o desenvolvimento deste importante centro religioso.
A etapa terminou um pouco mais à frente, em Pedra Furada, já no concelho de Barcelos, depois de um percurso que nos permitiu descobrir um património extraordinário e compreender melhor a importância histórica das antigas vias de peregrinação.
Foram 18 km de descoberta, de conhecimento e de ligação ao passado.
Em cada ponte descobrimos uma história, em cada pedra uma memória guardada e em cada povoação um pouco da identidade do nosso território.
Bom caminho!
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